2026: o ano em que o Brasil decidiu não escolher lado — mas escolher posição. Maior trunfo para os brasileiros

Tudo começa com a relação Brasil x Estados Unidos, no intervalo de 2025 –2026 quando a política interna virou crise internacional. 

Foi exatamente as turbulentas alterações articuladas por Eduardo Bolsonaro que acordou, alavancou e intensificou a necessidade do Brasil de uma recalibragem estratégica


Quer conferir como isso aconteceu? Siga lendo.


Depois da turbulência com os EUA, o governo brasileiro tem buscado ampliar — e diversificar — suas frentes diplomáticas. 


Aqui facilita fazer um panorama organizado e direto ao ponto.


A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, intensificada entre 2025 e 2026, nasceu de um conflito essencialmente doméstico — mas rapidamente ultrapassou fronteiras. Quem lembra disso? 


O ponto de partida foram as investigações conduzidas pelo STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaroe seus aliados, especialmente no contexto dos desdobramentos da tentativa de ruptura institucional de 2023


Para setores do bolsonarismo, essas medidas configurariam perseguição política. 


Essa narrativa encontrou eco em parte do ambiente conservador norte-americano, particularmente entre aliados do então presidente Donald Trump.


Foi nesse cenário que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro decidiu internacionalizar o debate. 

Eu alertei isso com esse comentário:

O mundo à beira de um colapso comercial global que trará inúmeros prejuízos de toda ordem à população global com efeitos imediatos no bolso e na mesa de cada um, sejam brasileiros, europeus ou norte-americanos, enquanto a nossa política tupiniquim gira em torno do “ego exponencial” de um pequeno grupo político.”, em março, de 2025 nesse texto do blog 

https://veraluciafonsecabrasilia.blogspot.com/2025/03/uma-nova-era-politica-global-surgindo-o.html


Ao se deslocar para os Estados Unidos em 2025, Eduardo Bolsonaro passou a articular apoio político externo contra decisões do Judiciário brasileiro. 


Argumentou que ministros do STF estariam violando direitos humanos e defendeu a aplicação de sanções norte-americanas — inclusive com base na Lei Magnitsky, instrumento tradicionalmente utilizado pelos EUA para punir agentes estrangeiros acusados de graves violações.


A resposta americana foi significativa. 


Houve imposição de tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, restrições de vistos e sanções financeiras direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes


A retórica oficial sustentava que as medidas eram reação a supostos abusos institucionais no Brasil. Contudo, analistas internacionais observaram que a iniciativa destoava do padrão diplomático tradicional entre duas democracias consolidadas.


Do lado brasileiro, o governo do presidente Lula classificou as medidas como interferência indevida em assuntos internos. 


O Itamaraty reagiu formalmente, convocando representantes diplomáticos e defendendo o princípio da soberania nacional.

Com isso o impacto foi duplo. 

  1. No plano econômico, as tarifas afetaram exportadores e tensionaram o comércio bilateral. 
  2. No plano político-institucional, a relação Brasil-EUA deixou de orbitar prioritariamente em torno de cooperação comercial e ambiental e passou a ser marcada por um embate político-jurídico.

Já em novembro de 2025, eu alertei:

Exportar uma leitura distorcida da política brasileira apenas alimenta visões externas rasas e caricaturais sobre o país.


Enquanto figuras públicas insistirem em internacionalizar conflitos domésticos para fins partidários, continuaremos sujeitos a análises equivocadas que desconsideram a complexidade da vida pública brasileira — e a seriedade de muitos que a exercem com honra.”, nesse texto do blog: 

https://veraluciafonsecabrasilia.blogspot.com/2025/11/quando-narrativas-internas-distorcem.html


Essa crise evidenciou algo maior: como disputas internas podem ser projetadas internacionalmente quando há redes ideológicas transnacionais e governos dispostos a utilizar instrumentos econômicos e jurídicos como ferramentas de pressão política.


Mais do que um episódio isolado, o caso revela um ponto sensível das democracias contemporâneas: 

até que ponto sanções e medidas externas podem ser usadas para influenciar decisões judiciais soberanas de outro país sem que isso configure interferência?


Dessa forma chegamos em 2026: Expansão e Reequilíbrio da Política Externa Brasileira


A pergunta que ficou após a crise diplomática com os Estados Unidos foi inevitável: como o Brasil reagiria no médio prazo?


O que se viu a partir daí foi um movimento calculado de reequilíbrio. 


Em vez de retração, o Brasil seguiu adiante, reorganizando sua política externa em quatro eixos pragmáticos — com foco em expansão estratégica e diversificação de parcerias.


1️⃣ China: consolidação do eixo econômico


A China permanece como principal parceiro comercial do Brasil. Em 2026, avançam acordos em infraestrutura e energia, amplia-se a cooperação tecnológica e agrícola e cresce o debate sobre mecanismos de liquidação comercial fora do dólar.


No âmbito do BRICS, o Brasil reforça o discurso de multipolaridade e de reforma da governança global, posicionando-se como ator relevante na transição para uma ordem internacional menos centrada em um único polo de poder.


2️⃣ União Europeia: retomada pragmática


O acordo Mercosul–União Europeia retorna ao centro da agenda diplomática. As negociações ambientais seguem como ponto sensível, especialmente em relação à Amazônia, mas o diálogo avança.


A União Europeia consolida-se como parceiro estratégico de longo prazo, sobretudo na agenda de energia verde, sustentabilidade e transição climática. O Brasil busca equilibrar soberania ambiental com acesso ampliado a mercados.


3️⃣ Estados Unidos: contenção estratégica


Após o ápice da crise envolvendo sanções e tarifas sob o governo Donald Trump, 2026 é marcado por estabilização cautelosa.


Há tentativas discretas de recomposição comercial, manutenção dos canais diplomáticos e redução do tom retórico público. A crise demonstrou que não houve ruptura estrutural, mas estabeleceu um novo padrão de prudência mútua.


4️⃣ Sul Global e América Latina: fortalecimento regional


O quarto eixo é o da autonomia ampliada. O Brasil reforça sua liderança na América do Sul, amplia a cooperação com países africanos em áreas como energia, agricultura e defesa, e mantém atuação ativa no G20.


A estratégia é clara: consolidar protagonismo no Sul Global como instrumento de autonomia estratégica.

Tudo aconteceu como consequência da truculência do governo de Donald Trump que pegou carona nas articulações políticas  de Eduardo Bolsonaro. 


A síntese desse cenário é implícita:

Em 2026, a diplomacia brasileira não escolhe um bloco exclusivo — escolhe posição.

Diversificação, pragmatismo e multipolaridade tornam-se os pilares de uma política externa que busca reduzir vulnerabilidades e ampliar margem de manobra. 

O triunfo é da sociedade brasileira! 

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