Entre Poder e Descontrole: O “fixer” de Donald Trump que transformou um litígio pessoal em incidente diplomático com o Brasil

 

Um artigo de um jornalista português chamou atenção ao contestar a ideia de que “não existem rapazes maus”. Pelo contrário: a experiência demonstra que eles existem, e não são raros. Aqueles que desejarem ler esse artigo clica aqui 

A recente entrevista de Paolo Zampolli à emissora oficial italiana RAI reforça esse ponto. Vou provar para vocês! 


As falas de Zampolli foram efetivamente proferidas, consideradas ofensivas e geraram repercussão internacional


Um jovem italiano que migrou para os Estados Unidos, fundou a agência ID Models e aproximou Donald Trump da então modelo eslovena Melanija Knavs, hoje Melania Trump


Anos depois, em entrevista a uma rádio italiana, o mesmo empresário Paolo Zampolli afirmou que mulheres brasileiras seriam “programadas para arrumar confusão”, além de dirigir ofensas à sua ex-esposa, a modelo brasileira Amanda Ungaro, com quem foi casado por duas décadas e com quem disputa a guarda do filho.


Você sabe qual o motivo que declarações dessa natureza, proferidas em meio a um conflito pessoal, transcendem ao âmbito privado? 

Sabe inclusive a razão pela qual essas ações repercutiram no cenário diplomático internacional? 


Desconhece a causa de fatos corriqueiros tomaram tal proporção? Então vou explicar. 


No centro desse episódio está um conflito pessoal judicializado envolvendo:

  • uma ex-companheira brasileira
  • alegações de violência doméstica
  • disputa pela guarda do filho

Foi nesse contexto que Zampolli fez declarações generalizantes sobre mulheres brasileiras, afirmando que seriam “programadas para causar confusão” e que “criam confusão com todo mundo”. 


Em versões reportadas, surgem ainda expressões de teor mais grave e ofensivo. Proferidas quando Zampolli achava que o microfone estaria desligado.

Embora inseridas em um cenário pessoal e conflituoso, essas falas ultrapassaram o âmbito privado. 


A repercussão internacional não se explica apenas pelo conteúdo das falas, e sim por quem as profere. Quem desejar ver a manifestação do governo brasileiro sobre o tema Clica aqui 


Mas como isso pode ser possível? Vou explicar, “pegue o fio da meada”… 


Zampolli não é uma figura qualquer. 

Ele atua como um political fixer, ligado ao entorno de Donald Trump


Seu papel não é decidir, mas conectar:

  • pessoas influentes
  • interesses estratégicos
  • centros de poder

Ele abre portas, articula relações e transita entre negócios, política e diplomacia informal.


Zampolli atua como um “broker de relações”, alguém que reduz custos de transação entre atores que normalmente não têm acesso direto uns aos outros


No fim, o episódio ilustra algo maior:

quando operadores de bastidores deixam o terreno da articulação e entram no da exposição, revelam não apenas opiniões, mas também os limites do próprio poder que exercem.


O que são fixers políticos? 


Um fixer é um intermediário estratégico que atua em ambientes de alta fricção institucional (política, negócios, diplomacia), reduzindo custos de negociação e acelerando decisões.


Ele opera com três ativos principais:

  • Acesso (a autoridades, empresários, burocracias)
  • Informação privilegiada (não necessariamente ilegal, mas não pública)
  • Confiança pessoal (capital relacional)

Como eles atuam na prática

O trabalho de um fixer raramente aparece publicamente. Ele costuma:

  • Abrir portas em governos ou parlamentos
  • Viabilizar reuniões “difíceis”
  • Traduzir interesses entre setores (ex: empresa ↔ governo)
  • Antecipar resistências políticas
  • Ajustar estratégias para evitar bloqueios institucionais

👉 Em linguagem mais direta: ele “faz as coisas andarem” onde o sistema formal é lento ou travado.


Exatamente por exercer um papel de “fixer politico” de Donald Trump, Paolo Zampolli se torna importante não pelo que “decide”, mas por:

  • quem ele conecta
  • a quais círculos ele tem acesso
  • quais portas ele abre

Ele é um típico operador de influência informal de alto nível.

Mas o que isso representa? 


Paolo Zampolli não é um formulador clássico de política pública nem um diplomata de carreira. 


O peso dele está nos bastidores — networking, acesso e intermediação. Agora questione: 

Zampolli é italiano, e família dele não era publicamente influente


Zampolli se mudou jovem para os Estados Unidos. 

Não há um histórico acadêmico de destaque amplamente documentado — o diferencial dele foi outro:

  • Inserção precoce em círculos sociais de alto nível
  • Capacidade de construir relações estratégicas
  • Forte orientação para networking

👉 Desde cedo, ele opera mais como conector social do que como especialista técnico.


Então como Zampolli chegou até Trump? 

Venha comigo que vou te explicar: 


Zsmpolli deixou a Itália ainda jovem. E foi para os Estados Unidos buscar oportunidades.


O salto na carreira acontece em Nova York, nos anos 1990, ambiente onde se cruzam:

  • mercado imobiliário
  • indústria da moda
  • elites financeiras

Zampolli fundou a agência ID Models, que serviu como plataforma de acesso a:

  • modelos internacionais
  • celebridades
  • empresários influentes

Foi nesse contexto que ele se aproximou de Donald Trump, já um nome forte no setor imobiliário.


Zampolli então apresentou Melania Trump a Donald Trump, e isso ocorreu em um evento ligado ao circuito de moda em Nova York. 

Esse episódio teve efeito indireto significativo:

  • Melania torna-se figura central na vida pessoal e política de Trump. 
  • Impacta campanhas e imagem pública

👉 É um exemplo claro de como relações sociais privadas podem gerar efeitos políticos duradouros.


A entrada de Zampolli na política internacional, ou sua virada formal aconteceu após a eleição de Trump, com a sua nomeação na ONU.


Zampolli é indicado para função ligada à United Nations em 2017. 

  • Papel: conselheiro/representante em temas de desenvolvimento
  • Natureza: mais relacional do que decisória

👉 Não é diplomata de carreira — é um nome político baseado em confiança pessoal.


Exatamente por isso suas declarações sobre mulheres brasileiras,  tiveram um efeito bombástico nos bastidores diplomáticos internacionais. 


Agora vamos aos exemplos mais conhecidos globalmente no papel, ou seja, as figuras frequentemente associadas ao papel de fixers políticos:

  • Roger Stone – operador político ligado ao entorno de Donald Trump
  • Dominic Cummings – articulador-chave do Brexit no entorno de Boris Johnson
  • Paolo Zampolli – mais voltado à intermediação entre negócios, diplomacia e política

Cada um opera em níveis diferentes de formalidade, mas todos têm em comum o poder de articulação fora das estruturas tradicionais.


Diferença entre fixer e lobista

Apesar da sobreposição, há distinções importantes:

Fixer

Lobista

Informal

Regulamentado (em muitos países)

Baseado em relações pessoais

Baseado em representação institucional

Atua nos bastidores

Pode atuar publicamente

Menos transparente

Mais sujeito a regras

Por que eles existem - Fixers surgem porque:

  • Estados são burocráticos e lentos
  • Interesses são conflitantes
  • Nem todos têm acesso direto ao poder

Eles funcionam como uma “lubrificação do sistema”, conectando partes que não se falam.


Riscos e controvérsias

Esse tipo de atuação levanta críticas sérias:

  • Falta de transparência
  • Possível conflito de interesses
  • Proximidade com práticas de corrupção (em alguns casos)
  • Influência sem accountability

👉 Em termos institucionais, eles operam na fronteira entre:

  • eficiência informal
  • e fragilidade democrática


Em síntese, um fixer político é alguém que:

  • não aparece na estrutura oficial
  • não necessariamente decide
  • mas viabiliza decisões e articulações críticas

É poder sem cargo e, muitas vezes, sem visibilidade. 


Já no no Brasil, o fenômeno dos fixers pode ser dividido assim:

  • Formal → articulação política legítima (governo ↔ Congresso)
  • Informal → operadores de bastidores
  • Zona cinzenta → quando interesses privados se misturam ao público

Ponto crítico, especialmente no Brasil, devido à estrutura política, afinal somos um país de: 

  • presidencialismo de coalizão
  • alta fragmentação partidária
  • burocracia complexa

👉 O sistema incentiva a existência de fixers, mas também:

  • aumenta risco de captura do Estado
  • facilita corrupção e tráfico de influência


O “fixer brasileiro” típico é alguém que:

  • conhece profundamente Brasília
  • tem acesso a decisores
  • resolve impasses políticos ou regulatórios
  • atua muitas vezes fora da transparência formal

Atualmente um exemplo típico de fixer político no Brasil é José Guimarães (PT-CE). 


Ele tomou posse como novo ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) em 14 de abril de 2026, substituindo Gleisi Hoffmann. 


A pasta, sob a gestão de Lula, articula a agenda do governo federal com o Congresso Nacional e entes federativos, com foco atual na pauta econômica. 


Voltando aos problemas pessoais que o fixer de Donald Trump enfrenta, é bom lembrar há uma contradição evidente: 


👉🏻 ao ofender brasileiras como grupo, Zampolli atinge, por extensão, a própria origem de seu filho. Ofende por tabela a sua própria linhagem! 


Isso não deixa de ser uma forma de autossabotagem simbólica, típica de momentos em que a emoção sobrepõe o discernimento. Rapazes maus são os que mais se expõem a esses momentos! Taí… 

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