Polarização: O Jogo Que Distrai Você Enquanto o Poder se Organiza. Entre Emoção e Números: Quem Está Realmente no Controle da Democracia?

O Brasil é um país de trabalhadores.


Os números giram em torno de 103 milhões de pessoas em 2025 segundo os dados do IBGE 


Gente que, desde cedo, aprende o valor da jornada de oito horas, do compromisso diário, do esforço que começa na infância e segue pela vida adulta até a aposentadoria. Não somos um país de ricos! 


Também somos uma democracia — como os 193 países membros da ONU se autodeclaram. Mas, na prática, apenas cerca de 80 a 90 são considerados democracias plenas ou funcionais.


Viver sob um regime democrático significa ter liberdade para escolher nossos representantes: o chefe do Executivo e os integrantes do Legislativo.


O paradoxo é que, em muitas dessas democracias, grande parte dos eleitos jamais experimentou a rotina de quem trabalha com horário rígido, esforço físico ou salário contado no fim do mês.

Exatamente aqui entra os problemas atuais da democracia. 

O resultado disso é a fragilidade do regime democrático. Quer conferir? Vamos lá 


Primeiramente questione: Exatamente para que se elege um governo democrático? 


Essa é a pergunta do “coração da politica “! 


Elegemos um governo democrático para que o poder não seja imposto — mas autorizado pela sociedade.


Para que quem governa o faça com legitimidade, limites e responsabilidade.


Mais objetivamente, elege-se um governo para:

🗳️ Representar a vontade popular

⚖️ Criar e aplicar leis dentro da Constituição

💰 Administrar recursos públicos com transparência

🏥 Garantir direitos e serviços essenciais

🛑 Ser fiscalizado e poder ser substituído pelo voto


A essência disso tudo é simples:


Numa democracia, o poder não pertence ao governante — pertence ao povo. O governante apenas exerce esse poder temporariamente.


Se isso não acontece na prática, surge a frustração. Porque democracia não é só votar. É ter representatividade real, alternância de poder, respeito às regras e prestação de contas.


Exatamente por isso que a tendência recente é essa:

Relatórios apontam que vivemos uma fase chamada de “recessão democrática”:

mais países vêm perdendo qualidade institucional do que avançando. Torcendo para que o Brasil não tenha esse problema com o resultado das próximas eleições. É importante ficar atento! 


Inclusive, segundo a Freedom House

👉🏻 menos de 20% da população mundial vive em democracias plenamente livres.


Como está o Brasil nesse ranking? Veja: 

Segundo o Índice de Democracia – The Economist Intelligence Unit

👉🏻 Em 2024, o país ficou na 57ª posição entre cerca de 167 países analisados, com nota 6,49 (em uma escala de 0 a 10). Tipicamente isso não é o mau resultado. 


Mas qual o motivo de não classificar melhor posição do Brasil nesse ranking? 


O Brasil é uma democracia. 

Mas ainda está abaixo das chamadas democracias plenas por enfrentar problemas estruturais — e o principal deles é a polarização política.


Se esse é o problema, é preciso entendê-lo.


A polarização interessa, sobretudo, aos segmentos mais ideológicos e menos dependentes do eleitorado moderado — tanto à direita quanto à esquerda. 


Ela funciona como combustível político porque mobiliza bases fiéis, simplifica o debate em “nós contra eles”, ativa emoções fortes e reduz a necessidade de diálogo com o centro.


Quem mais se beneficia? A resposta é dada em 4 passos. Veja 

1. Extremos ideológicos — quanto mais radical o discurso, mais ele se alimenta da divisão.

2. Lideranças personalistas — figuras que se apresentam como “salvadores” prosperam em ambientes polarizados.

3. A oposição — que explora o conflito para desgastar quem governa.

4. Quem domina a narrativa digital — redes sociais amplificam confronto, não consenso.


E quem mais perde?


O eleitor.


Enredado nessa lógica, você pode perder o foco essencial da democracia: escolher representantes que realmente compartilhem seus valores e defendam seus interesses.


Isso acontece porque a polarização 

  1. distorce prioridades, 
  2. substitui debate por emoção e, muitas vezes, 
  3. conduz à eleição de representantes que, no exercício do poder, não correspondem às expectativas que ajudaram a inflamar.

Democracia exige escolha consciente — não reação emocional.



A polarização política muitas vezes funciona como uma engrenagem de distorções — capaz de capturar o eleitor pela emoção e afastá-lo dos dados objetivos.


Pergunta simples: você sabe qual é o maior partido do Brasil em número de filiados?


Quando analisamos os números, encontramos dois recortes importantes:


1️⃣ Peso dentro do universo partidário (entre os já filiados)

2️⃣ Peso real dentro do eleitorado brasileiro total


E aqui está o dado relevante:

Dentro do universo dos filiados, o MDB representa cerca de 13%.

Mas, considerando todo o eleitorado brasileiro, nenhum desses grandes partidos alcança sequer 2%.


Ou seja: o “maior partido do Brasil” representa apenas uma fração muito pequena do conjunto total de eleitores.

Se esse detalhe passou despercebido, vale avançar um passo.


Agora compare com o ranking dos partidos que mais recebem recursos públicos do TSE — especialmente os percentuais do Fundo Partidário.


A pergunta que surge não é ideológica. É estrutural:


Quem realmente representa a maioria?

E como se distribuem os recursos públicos diante dessa representatividade?



Democracia exige atenção aos números — não apenas às narrativas.

confira o ranking dos partidos políticos que mais receberam em 2025 recursos do Fundo Partidário: 

Partido

Valor aproximado recebido

% do total do Fundo Partidário

PL – Partido Liberal

~R$ 208,6 milhões

~18,5 %

PT – Partido dos Trabalhadores

~R$ 152,9 milhões

~13,6 %

União Brasil

~R$ 116,9 milhões

~10,4 %

Republicanos

~R$ 95,2 milhões

~8,5 %

PSD – Partido Social Democrático

~R$ 91,4 milhões

~8,0 %

(outros partidos menores recebem o restante)

~41 %


Com esses dados em mente, reflita 

Todo mandato eletivo tem prazo:

4 anos para presidente, governador, prefeito, deputado e vereador;

8 anos para senador.

E as eleições se repetem a cada quatro anos.


No modelo brasileiro, governos funcionam por coalizão — partidos que integram a base indicam ministros.


Hoje, o maior partido em número de filiados, o MDB, integra a base do governo e ocupa ministérios estratégicos, como:


• Simone Tebet – Planejamento

• Jader Filho – Cidades

• Renan Filho – Transportes


Por outro lado, o partido que mais recebeu recursos do Fundo Partidário em 2025, o PL, não integra formalmente a base do governo. Atua como oposição e é a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro.


No Congresso, é claro, podem existir apoios pontuais. Isso faz parte da dinâmica parlamentar.


Mas a reflexão é outra:


👉🏻 Quem realmente se beneficia da polarização política?


Normalmente, candidatos que preferem deslocar o seu foco da análise concreta — representação, números, recursos, responsabilidade — para o conflito emocional.


Por isso, a escolha do seu voto, Eleitor deveria se basear em algo simples e objetivo:

👉🏻 Quem efetivamente atua para melhorar a sua qualidade de vida, Eleitor — e não a própria — deveria ser o critério central do voto.


Algumas eleições recentes, como a da Argentina, mostram o custo de ignorar esse detalhe. 



Campanhas marcadas por forte apelo emocional, desinformação e até circulação de conteúdos manipulados por inteligência artificial às vésperas do pleito distorceram o debate público.


Quando a emoção substitui a análise crítica, o eleitor corre o risco de escolher movido por impulso — e arcar depois com as consequências. 


Foi exatamente isso que ocorreu na Argentina: sob o argumento de “atrair investidores”, direitos trabalhistas vêm sendo reduzidos. A que custo? Ao custo do próprio trabalhador argentino. Isso é aceitável? 

Evidente que não. Um governo deve priorizar seu povo — não sacrificar quem vive do trabalho para beneficiar os mais ricos.


Democracia exige mais do que indignação.

Exige discernimento.


Democracia exige atenção. Emoção mobiliza. Mas informação protege contra a desestrutura da polarização política. Pense nisso! São 4 anos representando sua vida, eleitor! 


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