É a vez da guerra informacional. E se Maduro ainda estiver na Venezuela? Antes de aceitar versões prontas, é preciso separar narrativa de fato.

Admirável Mark Zuckerberg.

Não governa países, mas governa fluxos. Não escreve leis, mas define o que circula. Em nome da neutralidade, comanda plataformas que amplificam narrativas, moldam percepções e influenciam decisões coletivas em escala global. 


Nessa Era, o poder já não precisa de cargo público, votos ou eleições — basta controlar a infraestrutura onde a realidade é compartilhada — o verdadeiro poder do sistema atual 


Deixo aqui minha patente admiração ao controlador. Não é fortunas, mas a estabilidade global que um único homem administra. Isso é admirável. 



Agora, faça a pergunta que quase ninguém está fazendo:


você já considerou a possibilidade de Nicolás Maduro e sua esposa ainda estarem na Venezuela?

Já avaliou a hipótese — nada absurda em cenários de alta tensão — de que sósias tenham sido apresentados ou capturados em uma operação militar norte-americana?


Não? Então é hora de separar narrativa de fato e olhar com atenção para o que realmente pode ser comprovado.


Grandes veículos internacionais, como AP NewsThe Guardian e Washington Post, noticiam que os Estados Unidos teriam capturado Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em operação militar em Caracas. Essas reportagens, porém, baseiam-se majoritariamente em declarações oficiais do governo norte-americano.


Até o momento, não há confirmação independente e neutra — por jornalistas no local ou organismos internacionais — que comprove de forma autônoma a extração e custódia do casal. 


Autoridades venezuelanas seguem exigindo prova de vida, evidenciando disputa de versões e ausência de validação independente.


As reações de China e Rússia convergem em um ponto central: a rejeição ao uso unilateral da força como instrumento de persecução política ou penal entre Estados soberanos. 


Ambas classificaram o episódio como violação do direito internacional, alertaram para os riscos de escalada e reafirmaram a soberania como pilar da ordem global. 


Mais do que defender a Venezuela ou seu governo, essas manifestações expõem uma disputa maior: a de quem define os limites da legalidade internacional. 


O caso revela que, no mundo atual, a crise não é apenas militar ou diplomática, mas normativa — quando narrativas de poder tentam substituir regras, a estabilidade do sistema internacional entra em xeque.



No caso envolvendo Estados Unidos e Venezuela, a guerra informacional não se trava apenas entre governos, mas passa diretamente por plataformas globais como o Google e a Meta. 


Com alcance praticamente planetário, o Google define quais versões do episódio aparecem primeiro, quais ganham legitimidade e quais permanecem invisíveis. 


Quando uma narrativa oficial é indexada, ranqueada e reproduzida globalmente antes de qualquer confirmação independente, ela passa a operar como fato social, ainda que juridicamente inconcluso. 


Nesse cenário, o poder não está só em quem age militarmente, mas em quem controla a infraestrutura da informação onde o mundo busca “o que está acontecendo”. 


É aí que a disputa deixa de ser apenas geopolítica e se torna estruturalmente informacional.


Na guerra informacional contemporânea, Mark Zuckerberg e o Google representam polos distintos, porém complementares, de poder narrativo


Enquanto o Google organiza o acesso à informação — definindo o que aparece primeiro, o que ganha autoridade e o que permanece invisível —, a Meta controla a circulação social da informação, amplificando conteúdos por engajamento emocional, viralização e redes de influência. 


Não se trata de coordenação formal entre empresas, mas de um efeito estrutural: o que é priorizado na busca tende a ganhar legitimidade; o que viraliza nas redes tende a ganhar força política. Já reparou? 


Nesse ambiente, Estados já não disputam apenas entre si — disputam espaço com infraestruturas privadas que moldam percepção, consenso e realidade pública em escala global.


No mundo atual, o poder não se limita a tanques, sanções ou tratados. Ele reside, cada vez mais, em quem controla os fluxos da informação


Plataformas privadas passaram a organizar o que é visto, acreditado e compartilhado em escala global, influenciando conflitos, legitimidades e decisões políticas antes mesmo de qualquer verificação independente. 


Quando a narrativa precede o fato, a soberania deixa de ser apenas territorial e passa a ser também informacional. É nesse terreno — invisível, mas decisivo — que as disputas do século XXI estão sendo travadas.


Mark Zuckerberg sempre sustentou um discurso de neutralidade — a ideia de que a Meta é apenas uma “plataforma”, não um ator político. 


No entanto, a prática demonstra o oposto: decisões algorítmicas, regras de moderação, remoção seletiva de conteúdos e ajustes de visibilidade têm impacto direto sobre eleições, protestos, crises sanitárias e conflitos internacionais. Neutralidade, nesse contexto, é uma escolha política disfarçada de técnica.


Outro ponto central é a concentração de poder privado


A Meta conecta bilhões de pessoas, controla dados sensíveis e define padrões globais de comunicação sem mandato democrático, sem controle público efetivo e com responsabilização limitada. 


Zuckerberg, nesse arranjo, atua como gestor de um espaço público privatizado, onde regras mudam por decisão corporativa e afetam sociedades inteiras.


Na guerra informacional, o papel de Zuckerberg não é o de um estrategista estatal, mas o de um facilitador estrutural: suas plataformas não criam a narrativa oficial, mas decidem quais narrativas se espalham, quais se radicalizam e quais morrem no silêncio


Isso confere à Meta um poder indireto, porém profundo, sobre a estabilidade política e social de diversos países. 


Enquanto isso avalie que o Google não é apenas uma empresa de tecnologia: é um ator estrutural da ordem informacional global.


Seu alcance não se mede só em usuários, mas em capacidade de moldar percepções, narrativas e acesso ao conhecimento. Funciona como molde! 


Já Mark Zuckerberg não é apenas um empresário da tecnologia. Ele é um ator central da ordem informacional contemporânea, cuja atuação influencia como conflitos são percebidos, como consensos se formam e como a verdade disputa espaço com a viralização. Adapta o molde numa perfeição ímpar. Eu aplaudi


No século XXI, esse tipo de poder — invisível, algorítmico e global — pode ser tão decisivo quanto o poder militar ou econômico.



Enquanto muitos aplaudem a pretensa “volta da democracia à Venezuela”, a guerra segue silenciosa, contundente, invisível e moldando a percepção coletiva


Quem desejar conferir as primeiras imagens de Maduro chegando ao DEA dos Estados Unidos, “ferido e preparado” para uma demonstração de “padrão de voz”, desejando Feliz Ano Novo às pessoas que encontra confira nos links: 


Venezuela-Trump live: Maduro speaks in new video as he arrives in New York ahead of court appearance | The Independent


https://x.com/danimayakovski/status/2007647734098956294


Quanto a nós, meros mortais, seguimos ávidos de desfecho dessa moldagem


Já o Brasil como agiu diante do episódio de invasão à Venezuela? Nosso governo mais uma vez acertou em cheio ao se manifestar com segurança e cautela sobre o episódio.


Brasil condenou a suposta captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, classificando o episódio como violação da soberania da Venezuela e do direito internacional. 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou para o risco de precedentes perigosos e defendeu a solução de conflitos por vias diplomáticas e multilaterais. Pronto 


Resumo da posição oficial do Brasil:

✔️ Condena a ação militar dos EUA como violação de soberania e direito internacional.

✔️ Chamou a atenção para os riscos de precedentes perigosos e desestabilização regional.

✔️ Buscou articulação diplomática internacional para reforçar respeito às normas multilaterais.



Quem desejar conferir acesse o link:


Brazil says US crossed 'unacceptable line' on Venezuela as officials track border - https://www.reuters.com/business/aerospace-defense/brazil-says-us-crossed-unacceptable-line-over-military-strikes-venezuela-2026-01-03/





Imagens disponíveis e retiradas do Google 

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