Quem manda no Brasil? O cercado do poder. Lula governa dentro de um cercado. Ontem literal. Hoje institucional.
Afinal em democracia representativa como a do Brasil o Congresso não é alinhado automaticamente ao governo — há acordos pontuais, mas muitas vezes tensões claras com o Executivo e com o STF, é isso certamente vem impactando a lógica de apoio político em 2025.
Vou dar exemplos de Acordos concretos do atual Governo contando com apoio parlamentar. Confira:
Aprovação de medidas econômicas importantes
• A aprovação de propostas como a lei que isenta IR até R$ 5 mil contou com apoio parlamentar e foi um ponto de convergência entre Executivo e parte do Legislativo.
Reforma tributária e arcabouço fiscal
• O governo conseguiu avançar com a reforma tributária ampla e mudanças no arcabouço fiscal, fruto de negociação com líderes do Congresso e liberação de emendas para construir apoio.
Quanto aos atuais Acordos em disputa e embates políticos do Congresso com o governo veja:
a) Blindagem e limites à investigação
- Projetos controversos que tentam limitar investigações de parlamentares (a chamada “PEC da Blindagem”) geraram enorme atrito entre governo, Congresso e STF, mostrando que a união não é automática e que o Legislativo tem força própria.
b) Redução de pena de Bolsonaro
- O Congresso aprovou um projeto que pode reduzir a pena do ex-presidente Bolsonaro — tema que Lula anunciou que vai vetar, gerando conflito direto com parte do Legislativo.
Esse episódio demonstra que o Congresso pode seguir interesses distintos dos do governo em temas sensíveis.
Todas essas controvérsias tornam a Base aliada instável e com isso alguns partidos que antes compunham a base de Lula já se afastaram formalmente, enfraquecendo a “coligação governista” no Parlamento e abrindo espaço para negociações mais fragmentadas.
Sendo assim Lula já declarou que não vai “implorar apoio” ao Centrão e que quem quiser apoiar que fique, quem quiser ir pro outro lado também, tudo isso mostra uma estratégia de alianças mais flexível ou menos dependente. Típico do “cada um faz o que quiser condicionada a sua fidelidade partidária.
O resultado disso é que o Congresso passa a exibir um protagonismo próprio.
O Legislativo tem mostrado que decide grande parte das pautas importantes por conta própria, mesmo quando isso pode contrariar o Executivo, que seja em projetos de anistia, limitações a investigações ou redução de penas a aliados políticos. O atual cenário é uma prova disso.
Exatamente nessa ordem o que temos à mesa é que os acordos do Congresso com o governo giram em torno de grupos bem definidos, cada um com interesses próprios.
Ou seja não é base ideológica, é poder e orçamento.
Para confirmar esses fatos vou relacionar por ordem de importância. Confira:
1. Centrão (o eixo real do poder)
Quem são: PP, Republicanos, União Brasil, PSD e parte do MDB.
O que querem:
• Controle de ministérios com orçamento
• Emendas parlamentares liberadas sem ruído
• Autonomia para pautar projetos
👉 Resumo cru dessa ordem do eixo de poder no Congresso: não são “governo” nem “oposição”. Apoiam quem paga a conta política. Hoje negociam com Lula, amanhã com qualquer outro.
Quem são: PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede e parte do PDT.
O que querem:
• Aprovação de agenda social e econômica
• Manutenção do projeto político do governo
• Defesa institucional do Executivo e do STF👉 Resumo cru desse segmento: sustentam o governo no discurso e nas pautas ideológicas, mas não têm votos suficientes sozinhos.
3. MDB e PSD (os “moderadores”)
Quem são: alas pragmáticas desses partidos.
O que querem:
• Estabilidade institucional
• Espaço no Executivo
• Influência regional
👉 Resumo: funcionam como fiadores de governabilidade, mas só entram se o acordo for vantajoso.
4. Oposição organizada
Quem são: PL, Novo e alas do Republicanos e União Brasil.
O que querem:
• Desgaste do governo
• Pautas de costumes e discurso anti-STF
• Capital político para 2026
👉 Resumo: fazem barulho, dominam redes sociais, mas não controlam o plenário.
Finalmente temos as
5. Bancadas temáticas (transversais)
Essas atravessam todos os partidos:
• Bancada do Agro: vota com quem protege seus interesses econômicos
• Bancada Evangélica: negocia pautas morais e espaço político
• Bancada da Bala: segurança pública e endurecimento penal
👉 Resumo: não têm fidelidade partidária. Têm fidelidade aos próprios interesses.
A verdade nua e crua do cenário político brasileiro hoje, devido a essa fragmentação compulsiva do poder político é que temos um governo que não governa com uma coalizão clássica. Governa sim, devidamente obrigado por acordos pontuais, voto a voto, pauta a pauta.
E o Congresso dita o ritmo, porque controla orçamento, agenda e maioria.
Após todo esse processo exposto e levando em conta o foco essencial do Poder Legislativo que é o de produzir normas que organizem a vida coletiva e controlem o poder do Estado, aqui é só compararmos com o atual cenário político do Brasil, constata-se claramente que há algo equivocado.
O leitor consegue identificar onde está o erro? Não? Pois bem, vamos lá.
Veja bem, o Brasil é uma democracia e na democracia a Política é o mecanismo que permite ao Estado existir, decidir e agir.
Sem política, o Estado vira só um conjunto de prédios, leis mortas e servidores sem direção. Sendo assim a utilidade da política para o Estado é objetiva:
1. Definir prioridades
2. Produzir legitimidade
3. Converter demandas sociais em decisões estatais
4. Garantir governabilidade
5. Orientar a ação administrativa
Tomemos esses cinco pontos e mergulhemos no foco do Congresso enquanto poder político e na utilidade da política para o Estado. O que deveria emergir daí? Sem rodeios: um operador do poder orientado pelo interesse coletivo e nacional.
Mas não é isso que encontramos.
O que há de errado no cenário atual da relação tensa entre Governo e Congresso? Simples e direto: quem manda hoje é a fragmentação dos interesses políticos.
E qual é o efeito dessa fragmentação?
Se a política é a engrenagem que dá direção, legitimidade e estabilidade ao poder estatal, a fragmentação faz exatamente o oposto: retira direção, corrói a legitimidade e produz instabilidade permanente.
O Congresso deixa de agir como poder estruturante do Estado e passa a operar como soma de agendas particulares, negociadas em curto prazo. O resultado não é governabilidade — é sobrevivência política.
E isso cobra um preço alto do Estado e da democracia.
Uma vez que se tenta “tirar a política do Estado em prol de interesses de alguns seguimentos como acontece com o atual Congresso”, o que entra no lugar é:
• poder econômico,
• força militar,
• corporativismo,
• ou decisões de bastidor sem controle público.
Viu aí o retrato político atual do Brasil? Pois é, Isso não é neutralidade. É só política sem transparência. Quem perde é a sociedade, o contribuinte, o eleitor!
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