Soberania Digital: Como Dados, IA e Geopolítica Estão Redefinindo o Poder no Século XXI

A Nova Guerra Fria Digital: Por Que a Compra da Scale Pela Meta Muda o Jogo Global. Quer conhecer os bastidores desse novo cenário? Siga lendo 


Todos nós nascemos em uma data precisa e partiremos em outra igualmente precisa. 

  • Entre esses dois marcos inevitáveis, existe o único território que realmente nos pertence: o tempo que escolhemos como viver.

Exatamente nesse espaço de tempo o nosso cérebro transforma uma experiência (imagem, som, emoção) em um “traço neural”.

  • Quanto mais atenção e emoção envolvidas, maior a chance de fixação.

Essa é a codificação da memória. 


Como isso ocorre? Todas essas informações são distribuídas em redes de neurônios e a consolidação ocorre principalmente durante o sono.


Como acessamos essas memórias? 

Recuperando-as. É esse o processo que usamos para acessar a informação armazenada.


É importante lembrar: não é “reproduzir”, é reconstruir. Interessante isso não é? 


Qual é a capacidade de “armazenamento de dados (memória)” do cérebro? 


Pesquisas em neurociência computacional sugerem que a capacidade teórica da memória humana pode variar entre:

1 a 2,5 petabytes


Para você ter noção: 

1 petabyte = 1 milhão de gigabytes, isso equivale a milhões de livros digitais, ou ainda milhares de anos de vídeo em alta definição.


Em outras palavras, o cérebro:

Não armazena “arquivos” isolados

Não tem pastas fixas

Não grava dados de forma binária

Codifica informação de maneira distribuída e associativa


Veja bem, uma só lembrança não ocupa “X MB”.

👉🏻 Ela é um padrão de conexões elétricas e químicas espalhadas por várias áreas do cérebro.


Agora vamos usar uma metáfora tecnológica:

👉 O cérebro não é um HD.

👉 É mais próximo de um sistema de computação distribuída com reconfiguração contínua.


E o mais intrigante disso tudo: 

👉🏻 a limitação da memória humana não parece ser “espaço de armazenamento”, antes é atenção, consolidação e recuperação.


Agora imagine todo esse “grid” de armazenamento…

Multiplique pela quantidade de pessoas que vivem hoje no planeta, mais de 6 bilhões de vidas humanas!


Não satisfeito? Vá além: multiplique pela quantidade de cérebros que já existiram na história da humanidade.

Uau. É quase apavorante, não é?


E é justamente nessa direção que a Meta parece caminhar: construir uma infraestrutura capaz de armazenar, processar e cruzar volumes quase inimagináveis de dados humanos.


A pergunta que fica é: como isso é possível?


Bem essa essa é uma daquelas histórias clássicas do Vale do Silício — só que versão turbo. Risos 


Em junho de 2025, a Meta Platforms adquiriu 49% da Scale AI em um negócio que avaliou a empresa em cerca de US$ 29 bilhões.


Com o boom da IA generativa (ChatGPT, etc.), a empresa passou a trabalhar também com avaliação e ajuste fino de grandes modelos de linguagem. Um portento necessário para qualidade da IA. 

Lembrando que a IA precisa de dados rotulados em escala massiva para aprender.


Após, pergunte-se:

O que é a Scale AI? 


Fundada em 2016, a Scale começou resolvendo um problema crucial da inteligência artificial:

  • Se a IA precisa de dados rotulados em escala massiva para aprender, é exatamente nesse seguimento que a empresa Scale atua. Carros autônomos, sistemas de visão computacional, modelos de linguagem — todos precisam de milhões (às vezes bilhões) de dados organizados e classificados por humanos.

Assim a  Scale virou especialista nisso:

Rotulagem de imagens e vídeos

Organização de grandes bases de dados

Avaliação e treinamento de modelos de IA generativa

Serviços para governos e defesa dos EUA


Mas veja o detalhe:

A Meta não comprou o controle total.

A Scale continuou operando de forma independente.

O movimento reforça a corrida estratégica por infraestrutura de IA.

A avaliação coloca a Scale entre as startups privadas mais valiosas do mundo.


Essa participação minoritária é interessante: não é aquisição clássica, 

A Meta basicamente garantiu acesso privilegiado a infraestrutura crítica de dados. E quando Dados significam poder estratégico, as empresas que controlam infraestrutura digital, definem as regras do jogo informacional.


E logo atrás vêm os Governos, especialmente quando não atuam em simbiose.


🧠 Por que isso é tão relevante?


Porque estamos numa nova fase da economia digital:

1. Quem controla dados de qualidade controla desempenho de IA.

2. Quem controla IA controla produtividade, defesa, publicidade, plataformas.

3. E quem controla plataformas… controla narrativa e mercado.

Ponto!


Sendo assim,

Dados viraram infraestrutura estratégica


No século XX, poder era:

petróleo

indústria pesada

arsenal nuclear


No século XXI, é:

semicondutores

capacidade computacional

dados estruturados de alta qualidade


Empresas como a Scale fazem algo invisível, mas crítico: transformam dados brutos em insumo estratégico para sistemas de IA.


Sem isso:

não há carro autônomo confiável

não há sistema militar inteligente

não há modelo de linguagem competitivo


É como refinar petróleo bruto em combustível de alta octanagem.


Exatamente aqui entra 

A corrida EUA × China


A disputa tecnológica entre EUA e China não é apenas sobre chips e economia. É sobre:

quem treina os modelos mais avançados

quem tem mais dados

quem consegue aplicar IA em defesa, indústria e influência digital


Empresas como a Scale ajudam os EUA a manter vantagem na qualidade de treinamento de modelos.


É uma guerra fria digital — só que baseada em algoritmos.


Um ponto mais sensível dessa corrida:

Se poucos países concentram empresas que controlam infraestrutura de IA, isso cria dependência global.

Países que não dominam:

produção de chips

cloud computing

rotulagem de dados

treinamento de modelos

acabam tecnologicamente subordinados.


Isso afeta:

autonomia econômica

segurança nacional

influência diplomática


É uma nova era de soberania digital.

Empresas como a Scale estão no “subsolo” do poder digital.

Elas não aparecem para o público como redes sociais ou apps.

Destaque importante é: Quem controla:

dados

validação

treinamento

controla a performance dos modelos que moldam economia, guerra, política e informação.


Quando a Meta Platforms compra 49% da Scale, ela não está só investindo.


Ela está:

garantindo acesso privilegiado a dados estruturados

protegendo sua posição na corrida da IA generativa

fortalecendo a infraestrutura ocidental de IA


É um movimento estratégico, não apenas financeiro. Uau 


Concluindo, isolado e de longe Mark Zuckerberg é uma das figuras que mais influenciaram a ordem global contemporânea. 


Ao transformar as redes sociais em infraestrutura central da comunicação mundial, ajudou a redefinir poder, informação e relações humanas — um impacto histórico que merece reconhecimento e apreço. 

Eu aplaudi e você, leitor? 



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