Nenhum país se sustenta num único líder — são as instituições, especialmente o sistema partidário, que mantêm a democracia de pé.
Sem partidos não há democracia — e o Brasil precisa lembrar disso. Instituições sustentam a nação — não indivíduos.
A vida política de um país não se sustenta na figura de um indivíduo, mas na solidez de suas instituições. Tem muitos políticos atualmente que parecem não saber disso!
Entre essas instituições, o sistema partidário ocupa lugar central: é ele que organiza ideias, estrutura candidaturas e dá previsibilidade às decisões que moldam o Estado.
No Brasil, esse sistema percorreu caminhos diversos ao longo da história, carregando marcas de cada época.
A trajetória do sistema partidário brasileiro é marcada por avanços e tropeços, mas sua função permanece intacta: assegurar que a política seja conduzida por projetos e instituições, não por vontades individuais.
É esse arranjo — amadurecido ao longo de gerações — que mantém viva a lógica democrática e permite que o país caminhe com estabilidade.
Há quem insista em acreditar que a democracia brasileira depende deste ou daquele líder. Alguns integrantes do PL, recentemente, têm tentado martelar essa ideia nas redes sociais. Um equívoco evidente
A história mostra, com clareza quase pedagógica, que nenhuma nação se sustenta sobre os ombros de um indivíduo. O que sustenta um país são as instituições — e, entre elas, o sistema partidário ocupa papel decisivo.
Do Império à República: aprendemos, mas esquecemos rápido
O Brasil já experimentou de tudo: partidos de elite no Império, oligarquias regionais na Primeira República, um sistema moderno pós-1945, o bipartidarismo artificial da ditadura e, por fim, o nosso atual multipartidarismo fragmentado. Cada etapa deixou lições que, curiosamente, são repetidamente ignoradas.
A principal?
Quando a política se reduz a personalismo, o país se enfraquece.
A era da hiperpersonalização
Hoje, vivemos um tempo em que muitos enxergam a política como torcida. Troca-se o programa pelos afetos, o debate pelo embate e, não raro, o partido pelo salvador da vez.
Mas a verdade é simples e incômoda:
um líder, por mais popular, não substitui um sistema partidário funcional.
E quando se tenta fazer isso, a democracia perde lastro — exatamente como já vimos acontecer em outros períodos.
Partidos são imperfeitos, mas indispensáveis
É claro que o sistema partidário brasileiro tem excessos, distorções e fragmentação. Mas ainda assim, são os partidos que garantem coerência institucional, responsabilização política e continuidade administrativa. Eles são o antídoto natural contra aventuras de ocasião.
Negar essa função é abrir as portas para o improviso — e improviso, na política, sempre cobra um preço alto.
A maturidade democrática exige seriedade
Um país que deposita a própria estabilidade num nome, seja ele qual for, flerta com riscos desnecessários. É pelos partidos, por suas ideologias e programas, que a democracia respira. A figura carismática passa; a instituição permanece. JK, Getúlio, Tancredo, Sarney, FHC, Itamar Franco são as provas do que falo!
É isso que ainda precisamos lembrar — e defender — num tempo de paixões instantâneas e memórias curtas.
Por que o sistema partidário é indispensável à democracia
Nenhuma democracia se sustenta na personalidade de um líder. Governos mudam, figuras passam; o que permanece são os partidos, com seus programas, responsabilidades e compromissos públicos.
• Partidos organizam ideias e disputas
Eles representam visões de mundo, definem prioridades e apresentam projetos de país. Sem essa estrutura, a política seria guiada por impulsos individuais — terreno fértil para personalismos e instabilidade.
• Partidos estruturam candidaturas
Nenhum candidato chega ao poder sem uma legenda. É o partido que oferece identidade, regras internas, disciplina e responsabilidade institucional.
• Partidos mantêm o Parlamento de pé
Lideranças, votações e negociações são organizadas pelas bancadas. É isso que permite governabilidade e continuidade, evitando rupturas improvisadas.
• Partidos protegem a democracia do improviso
A alternância de poder só é possível quando há instituições sólidas. A dependência de um nome, por mais popular que seja, não sustenta regime algum.
Quem sabe alguns políticos atuais finalmente aprendessem isso, já que insistem em desprezar exatamente o que sustenta a própria democracia que dizem defender?



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