Da Ascensão ao Abandono: O Destino de Carla Zambelli no Bolsonarismo

Zambelli reapareceu nas redes sociais após um período sem gravar vídeos. 


Em publicação divulgada em 25 de julho, ela confirmou que está na Itália, afirmou que precisou de um tempo para refletir e disse que continuará se comunicando com seus apoiadores. 


No vídeo, também pediu votos para sua mãe, Rita Zambelli, pré-candidata à Câmara dos Deputados. (Quem quiser saber mais acesse https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/07/25/carla-zambelli-volta-as-redes-sociais-e-confirma-que-esta-na-italia.html


Carla Zambelli é um dos exemplos mais emblemáticos de como a política pode transformar aliados em personagens descartáveis.


Antes de entrar na vida partidária, construiu sua imagem nas manifestações de rua, tornou-se uma das principais vozes do movimento bolsonarista e ajudou a impulsionar um projeto político que chegou ao poder em 2018. Em troca, conquistou projeção nacional, mandatos e influência.


Mas a política muda rapidamente.


Após sucessivos processos judiciais, condenações e a perda do mandato, Zambelli deixou o Brasil e hoje enfrenta, na Itália, uma longa batalha contra o pedido de extradição. 


Longe dos holofotes, trava praticamente sozinha uma disputa jurídica complexa, que exige estrutura financeira, equipe de advogados e resistência emocional.


Independentemente da posição de cada um sobre sua atuação política ou sobre as decisões da Justiça, chama atenção o silêncio de grande parte da classe política que esteve ao seu lado durante os anos de maior prestígio. 


Aqueles que dividiam palanques, discursos e campanhas raramente se manifestam publicamente em sua defesa.


A política costuma ser generosa nos momentos de ascensão, mas frequentemente solitária nos momentos de queda. Pior ainda quando essa queda a protagonista é uma mulher! 


Se a extradição for confirmada pela Justiça italiana, Carla Zambelli deverá retornar ao Brasil para cumprir a pena determinada pela Justiça brasileira. 


Até lá, permanece em um limbo político e jurídico, distante do protagonismo que um dia ocupou.


Mais do que a história de uma ex-deputada, o caso revela como projetos políticos personalistas podem consumir rapidamente aqueles que os ajudam a construir. 


Quando deixam de ser úteis ou se tornam um custo político, antigos aliados muitas vezes desaparecem.


Mais uma vítima do sistema bolsonarista. Afinal, Zambelli é só uma mulher. 


Lembrando que o Bolsonarismo um dia pregava: “ninguém fica para trás”, após a Justiça barrar a campanha governamental “O Brasil Não Pode Parar”, durante a pandemia de Covid-19, no fim de março e início de abril de 2020, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) adotou o novo slogan “Ninguém fica para trás”, inspirado em uma fala de Bolsonaro. (Quem desejar acesse o link  https://exame.com/economia/governo-lanca-ninguem-fica-para-tras-apos-abandonar-brasil-nao-pode-parar/)


A campanha afirmava que “nenhum brasileiro será deixado para trás” e passou a divulgar ações do governo relacionadas ao enfrentamento da pandemia, à repatriação de brasileiros e às medidas econômicas. Zambelli ficou para trás! 


O caso de Carla Zambelli leva à pergunta: esse compromisso valeu apenas enquanto ela era politicamente útil?


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