A possibilidade de classificar cartéis de drogas como organizações terroristas, a desculpa perfeita para legitimar o controle geopolítico: Escudo das Américas!
Nos últimos anos, o debate sobre segurança nas Américas ganhou um novo elemento: a possibilidade de classificar cartéis de drogas como organizações terroristas. À primeira vista, a proposta parece simples — combater grupos violentos que desafiam o Estado e controlam rotas internacionais do narcotráfico. No entanto, por trás dessa discussão existe uma dimensão mais profunda, que envolve estratégia geopolítica e disputa por influência no continente.
A partir do momento em que cartéis são enquadrados juridicamente como terrorismo, o problema deixa de ser apenas criminal ou policial e passa a ser tratado como ameaça estratégica de segurança internacional. Essa mudança abre espaço para instrumentos muito mais amplos de ação por parte dos Estados Unidos, como maior cooperação militar regional, acordos de inteligência e operações coordenadas para interceptar rotas de tráfico. Você saberia explicar como isso será possível? Não? Então esse texto é para você.
Vamos começar lembrando um passado recente:
Durante o período entre as duas guerras mundiais, o apoio da Internacional Comunista - liderada pela União Soviética - a partidos revolucionários e movimentos anticapitalistas em diversos países ajudou a lançar as bases para a expansão do comunismo após a Segunda Guerra Mundial.
Esse processo ocorreu de forma gradual, mas com alcance global, consolidando regimes alinhados a Moscou em diferentes regiões.
Com o passar do tempo, contudo, esse modelo político e econômico entrou em processo de esgotamento em alguns países, fenômeno que se tornou mais evidente nas últimas décadas.
Após o fim da Guerra Fria, a ordem internacional liderada pelos EUA promoveu o liberalismo e a democracia, embora de forma desigual, permitindo ondas de transições democráticas em todo o mundo.
Hoje, a cooperação política além-fronteiras tem avançado sobretudo no campo das autocracias.
Esse movimento é impulsionado por uma combinação de governos autoritários e regimes iliberais,partidos antissistema - não apenas da extrema direita - e também por atores privados simpáticos a essas agendas, que coordenam mensagens, estratégias e, em alguns casos, oferecem apoio material mútuo.
É nesse contexto que o governo de Donald Trump ampliou suas operações de segurança no hemisfério ocidental por meio da Operação Lança do Sul.
A iniciativa é conduzida pelo United States Southern Command e tem como objetivo intensificar o combate ao narcotráfico transnacional e às redes criminosas que operam nas rotas marítimas e aéreas da região.
A campanha combina recursos militares e de inteligência para ampliar a vigilância e a capacidade de interdição.
Entre os principais instrumentos empregados estão:
• uso de drones de monitoramento e reconhecimento para rastrear rotas de tráfico;
• vigilância marítima intensificada, com navios, aeronaves e sistemas de radar;
• operações de interdição e ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas.
Mas esse foi apenas um começo.
Usando da estratégia de coalização regional, agora em março de 2026 o governo dos Estados Unidos também anunciou a iniciativa Escudo das Américas, concebida para fortalecer a cooperação entre países do hemisfério no enfrentamento a cartéis transnacionais.
Quanto a mim, particularmente, tenho minhas dúvidas quanto a “fortalecer a cooperação”. Adiante justifico.
A proposta Escudo das Américas busca integrar capacidades militares, policiais e de inteligência de diversos Estados, com três objetivos centrais:
☑️ compartilhamento ampliado de informações e inteligência sobre redes de narcotráfico;
☑️ coordenação de operações conjuntas entre forças de segurança e defesa;
☑️ interrupção e destruição das principais rotas logísticas do tráfico internacional.
Nesse modelo, o combate ao narcotráfico passa a ser tratado não apenas como problema policial doméstico, mas como uma questão de segurança regional, exigindo cooperação militar e estratégica entre países do continente.
É exatamente aqui que assistimos essa Cooperação Autoritária remodelar a Ordem Global. Enquanto isso os mais afoitos disparam: - “Isso é bom, afinal os mais fortes ajudam os mais fracos.” Mas não é assim! Por que não é bem assim? Calma vou explicar.
A reunião que lançou o Escudo das Américas ocorreu em 7 de março de 2026, em Miami, reunindo cerca de uma dúzia de países latino americanos para discutir ações contra cartéis e crime organizado. |
Se tornou corriqueira a expressão “illiberal international” para descrever uma rede global de cooperação entre regimes e líderes que desafiam a ordem liberal.
Essa rede funciona através de:
• diplomacia entre regimes autoritários
• cooperação econômica
• apoio político
• troca de estratégias de controle político.
Diferentemente da Internacional Comunista, que atuou pós segunda guerra mundial que citamos no início do texto, essa cooperação não tem um centro organizador único.
Trata-se de uma rede flexível e descentralizada.
Mas isso não atinge os atuais regimes democráticos afirmariam os mais céticos. Errado. Atinge sim!
Embora esses encontros sinalizam uma coordenação crescente entre regimes autoritários, um grupo de analistas geopolíticos ressaltam que isso é apenas a parte visível de uma rede muito maior. Uau! Você focou nisso?
Aqui aparece o papel de líderes eleitos em democracias. Esse é um dos pontos mais controversos dessa tendência já que não envolve apenas ditaduras clássicas.
Mas também inclui líderes eleitos em democracias que:
• enfraquecem instituições
• atacam a imprensa
• usam o poder do Estado contra adversários.
Aqui entre os exemplos citados pelos analistas está o ex-presidente dos EUA
Os autores dessa análise sugerem que alguns desses líderes governam por meio do chamado autoritarismo competitivo.
Esses regimes utilizam ações tipo:
• perseguição a opositores
• controle de instituições
• manipulação da mídia
• uso do Estado para vantagem política.
E para atingir seus objetivos usam Redes transnacionais de apoio. A iniciativa do Escudo das Américas, concebida para fortalecer a cooperação no enfrentamento a cartéis transnacionais é o exemplo definitivo disso! Entendeu?
Exatamente aqui Geopoliticamente, isso significa que a segurança interna de países latino-americanos passa a ter dimensão hemisférica.
Esse é um dos pontos mais sensíveis, abre-se debate sobre:
• operações transfronteiriças
• captura de líderes em outros países
• ações unilaterais.
Diante disso estabelecida a operação Escudo das Américas analistas lembram precedentes usados contra grupos como a
Al-Qaeda e o
A lógica seria: ameaça global → ação extraterritorial legítima
Para muitos países latino-americanos, isso gera preocupação com intervenção indireta.
É uma vez que a América Latina tornou-se também um espaço de competição geopolítica. Em especial o Brasil que se tornou fortalecido com o BRICS!
Nessa ordem, além dos EUA, outros atores aumentaram presença na região, como:
Se o narcotráfico for tratado como ameaça de segurança estratégica, os EUA podem justificar:
• maior cooperação militar
• acordos de inteligência
• investimentos em segurança regional.
Isso também pode funcionar como contrapeso à influência das outras potências.
É esse raciocínio remete à antiga
Monroe Doctrine. Embora o contexto atual seja diferente, a lógica estratégica continua sendo:
instabilidade próxima ao território americano é vista como ameaça direta.
Talvez, não se sabe o Brasil NÃO tenha sido oficialmente convidado para aderir ao Escudo das Américas. Ainda que Trump tenha afirmado publicamente, que o Brasil talvez tenha decidido não comparecer ao encontro. A cúpula reuniu principalmente governos politicamente alinhados ao governo Trump.
Já o Brasil, México e Colômbia — justamente os três maiores países da América Latina — ficaram fora da coalizão, e o que será que isso revela sobre a estratégia dos EUA no continente? Deixo a resposta para sua reflexão, leitor
Imagens disponíveis e retiradas do Google e uso de IA
Sites e links de consultas, pesquisas e compilações parciais de textos
https://www.foreignaffairs.com/china/illiberal-international-cheeseman-bianchi-cyr


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