Quando a extrema direita vira caricatura política. A narrativa do “golpe” que não se sustenta nem no próprio espelho
A incapacidade política da extrema direita brasileira deixou de ser um problema estratégico — virou um caso didático. Isso é assustador.
A cada novo episódio, não se observa evolução no debate, mas um aprofundamento na confusão conceitual e na desinformação deliberada.
O exemplo mais recente é revelador: a tentativa de usar recortes de falas de Luiz Inácio Lula da Silva sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro para sustentar a tese de que a esquerda estaria, ela própria, “planejando um golpe”.
A pergunta inevitável é simples: golpe contra quem?
O óbvio que precisa ser repetido
Lula venceu as eleições pelo voto popular.
Assumiu o governo dentro das regras constitucionais.
Exerce um mandato legítimo conferido pelas urnas.
Falar em “golpe” nesse contexto não é apenas erro de análise — é negação da lógica política básica.
Golpes são articulados contra governos eleitos, não por governos eleitos.
Não se dá golpe contra a própria vitória eleitoral.
Essa narrativa não resiste a dois minutos de reflexão honesta.
A confusão deliberada como método
O que se vê não é ingenuidade, mas método:
recortes fora de contexto, inversão semântica, slogans repetidos à exaustão.
A tentativa de igualar quem defendeu a ordem democrática a quem a atacou revela mais sobre a fragilidade do discurso oposicionista do que sobre qualquer suposta ameaça institucional.
Quando tudo vira “golpe”, nada mais é análise — é apenas barulho.
Há uma ironia política evidente:
esse comportamento não enfraquece a esquerda — fortalece.
Ao abandonar a crítica responsável e optar pelo delírio permanente, a extrema direita se afasta do eleitor moderado, reforça a imagem de instabilidade e se transforma num facilitador eleitoral para vitórias amplas da esquerda.
Não é estratégia.
É autossabotagem, afirmo isso porque pessoalmente aprecio muito o embate politico com seriedade,
O que falta não é indignação, é política. Taí uma verdade.
Oposição política não se faz com histeria, nem com teorias conspiratórias recicladas.
Faz-se com projeto, diagnóstico sério, propostas alternativas e respeito às regras do jogo democrático.
Talvez o problema não seja excesso de paixão ideológica, mas falta de formação política básica.
Num sistema democrático, saber perder eleições é tão importante quanto saber vencê-las.
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| Nikolas Ferreira inicia caminhada do interior de Minas Gerais a Brasília Reprodução/Redes sociais |
Quem não aprende isso não faz oposição — faz caricatura.



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