O Congresso escolhe. A sociedade paga a conta: está na hora de mudar esse modelo. Fiscalizar é coisa séria. A escolha de quem fiscaliza também.

Você sabia que 
6 das 9 vagas do TCU são escolhidas e indicadas pelo Congresso Nacional?

E que essas escolhas são essencialmente políticas, sem sabatina pública e sem exigência de carreira técnica prévia?


Se isso é novidade pra você, este texto é exatamente pra você.


Tribunal de Contas da União existe para fiscalizar bilhões de reais do dinheiro público. Mas quando o órgão de controle passa a ser ocupado por indicações políticas, o risco é evidente: a fiscalização perde força e a independência fica sob pressão.



O caso do Banco Master funciona como um sinal de alerta. Ele expõe como um órgão que deveria atuar com rigor técnico pode acabar sendo percebido como espaço de negociação política. E quando isso acontece, o controle deixa de ser firme — e o prejuízo é institucional.


Tem dúvidas?

Então siga comigo.

Os fatos mostram por que esse modelo precisa ser questionado


Todo esse cenário atual chamou atenção para o modelo de escolha das vagas do Congresso uma vez que essa escolha privilegia o capital político, não a trajetória técnica em controle externo


A atuação do ministro Jonathas de Jesus como relator em temas como o Banco Master é vista por técnicos como um teste de maturidade institucional:

  • Mostra esforço de afirmação técnica
  • Busca documentos, auditorias e inspeções
  • Mas também evidencia a necessidade de blindagem técnica para evitar leitura política das decisões

📌 Especialistas costumam dizer:


“Ministros políticos precisam demonstrar técnica dobrada para afastar a sombra da indicação.”


Mas onde isso afeta a imagem do TCU? Veja bem, aceitando ou não há uma comparação silenciosa dentro do próprio TCU.


Dentro do Tribunal, há uma distinção informal entre:

ministros de origem técnica (auditores, juristas, economistas),

e ministros de origem política.

Evidentemente que Isso afeta:

relatorias sensíveis,

credibilidade externa,

e o peso simbólico do voto.


Jonathas entra no segundo grupo, o que exige, ao longo do tempo:

decisões bem fundamentadas,

respeito rigoroso às áreas técnicas,

e previsibilidade institucional.


Mas no final para que serve o TCU — e por que isso importa


Tribunal de Contas da União não foi criado para governar nem para fazer política. Sua função é mais simples — e muito mais importante: vigiar como o dinheiro público é usado.


Quando o Estado arrecada impostos, alguém precisa verificar se esses recursos estão sendo aplicados corretamente. 


É aí que entra o TCU. Ele fiscaliza contratos, obras, programas públicos e julga as contas de quem administra recursos federais. 


Em outras palavras: confere se o dinheiro foi gasto dentro da lei, com bom senso e sem desperdício.


O TCU não decide eleições, não cria leis e não manda no governo. Ele controla. E controle não é perseguição — é proteção. Proteção do dinheiro público e do interesse da sociedade.


O problema surge quando esse papel é distorcido. Quando o órgão de controle vira espaço de negociação política, a fiscalização perde força. E sem fiscalização forte, quem paga a conta é sempre o cidadão.


Um país com gastos públicos elevados precisa de um órgão de controle independente, técnico e previsível. Não para atrapalhar governos, mas para garantir que governar não vire licença para errar — ou abusar.


Fortalecer o TCU não é politizá-lo.

É respeitar sua função.


E essa função existe para proteger a todos nós. 

Exatamente aqui acontece a ruptura. Por que essa ruptura acontece? Veja: 


TCU: quando a legalidade não encerra o debate


A indicação de Jonathas de Jesus para o TCU é constitucionalmente válida. Cumpre os requisitos formais e, do ponto de vista jurídico, o rito se encerra aí.


Mas o debate relevante é outro: institucional.


O TCU controla bilhões de reais e decisões que impactam diretamente o Estado. Ainda assim, o modelo de escolha das vagas do Congresso privilegia o capital político, não a trajetória técnica em controle externo. Jonathas se insere nesse padrão — o que não o desqualifica pessoalmente, mas expõe um problema estrutural.


Perfis políticos exigem rigor redobrado para afastar a sombra da indicação. A legalidade, sozinha, não resolve a questão da qualidade institucional.


O TCU não é espaço de acomodação política. É órgão de Estado.

E enquanto o modelo não mudar, as indicações seguirão corretas no papel — e controversas na essência.


Lembrando a diferença essencial (em uma linha) entre três órgãos fiscalizadores: 

TCU controla o uso do dinheiro público

STF controla a Constituição

CGU controla o próprio Executivo


Exatamente por isso o TCU ocupa um lugar singular e sensível:

controla o Estado sem governar,

decide sem julgar como juiz,

e fiscaliza sem pertencer ao Executivo.


Por isso, perfil técnico e independência não são virtudes desejáveis — são condições de legitimidade.

Aqui entra a responsabilidade do Congresso Nacional uma vez que a Constituição Federal diz que 6 dos 9 ministros do TCU são escolhidos pelo Congresso Nacional (art. 73, CF), com alternância entre Câmara e Senado


Quando a vaga no TCU surge o processo de indicação ocorre internamente nos grupos parlamentares e depois passa por votação — mas não há no texto constitucional um prazo limite específico para que isso aconteça.


Por isso, é comum que o processo de escolha seja influenciado por cálculos políticos, calendários legislativos, recessos, eleições etc., e não exista um cronograma fixo como “30 dias após a vacância”.  


Pontos politicamente sensíveis na indicação da vaga do TCU: 

Não é exigido concurso público

Não há exigência de carreira técnica prévia no TCU

Parlamentares, ex-parlamentares, ministros, secretários e outras autoridades podem ser indicados, desde que preencham os requisitos formais

A aferição de “notório saber” e “reputação ilibada” é, na prática, político-institucional, não técnica em sentido estrito.


Ora, o assunto ganha ainda mais relevância quando focamos na atuação mais importante do TCU, já que o órgão existe para responder a uma pergunta simples e decisiva:



o dinheiro público foi usado corretamente?


Lembrando que os requisitos para a vaga do TCU existem e são constitucionais

Mas isso se fragiliza e muito quando o desenho do modelo permite ampla discricionariedade política na escolha. Confira nessa comparação: 


Entre três principais e mais importantes instituições: TCU - STF - STF:

O TCU é o único dos três em que:

não há sabatina,

não há exigência de carreira,

e a escolha pode ser 100% política — mesmo exercendo controle sobre todo o Estado.


Vamos lá e bater a tecla: 👉 O TCU não governa, não executa políticas públicas e não legisla. Ele controla. Sua essência institucional ou seja a sua função precípua pode ser sintetizada em três verbos:

Controlar, prevenir e corrigir 

Faz isso sempre com foco em:

proteção do erário

boa governança

interesse público


O debate ganha contornos ainda mais sensíveis quando o Congresso Nacional, no exercício de sua prerrogativa constitucional, aprova para o TCU um ministro associado a denúncias de grande repercussão na imprensa 


Reportagem do O Estado de S. Paulo aponta que Jhonatan de Jesus, quando deputado, destinou cerca de R$ 42 milhões em emendas parlamentares a Roraimaresultando em obras paralisadas, falhas de prestação de contas e questionamentos sobre asfaltamento e moradias populares, especialmente no município de Iracema


A gravidade do caso levou, inclusive, a manifestações do Supremo Tribunal Federal sobre o uso dos recursos. 


Ainda que a indicação seja formalmente legal, episódios dessa natureza ampliam o desgaste institucional e reforçam a percepção negativa quando o controle externo se vê associado a controvérsias que tocam justamente o mau uso do dinheiro público.


Legalidade não encerra o debate.

Cabe à sociedade questionar, acompanhar e cobrar do Poder Legislativo escolhas que preservem a credibilidade das instituições. 


O controle do dinheiro público começa no voto, passa pela fiscalização e se sustenta na cobrança permanente dos cidadãos. 


Vamos às urnas, leitores do meu Brasil varonil mostrar quem realmente manda nessa República! 










Imagens disponíveis e retiradas do Google 

Ilustrações feitas com recursos da IA 

Sites e links consultados 

https://www.estadao.com.br/economia/jhonatan-de-jesus-relata-outro-processo-sigiloso-sobre-master-no-tcu-ao-qual-bc-nao-tem-acesso/




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Saiba porque o STF é competente para julgar militares e o ex-presidente nos processos em que foram indiciados pela PGR

A Polícia Federal frustrou um plano de fuga digno de filme — e Bolsonaro era o protagonista. Quer descobrir como essa operação evitou um desastre anunciado?

Partido Liberal como fenômeno da partidocracia vem determinando a vida politica democrática do Brasil. Entramos em nova era de “guerra fria”partidária?